29 de jun de 2016

Liberdade de expressão

Sob a luz dos recentes acontecimentos envolvendo o deputado Jair Bolsonaro surge o questionamento: até  onde vai a liberdade de expressão? É "liberdade de expressão" usar suas palavras para apologias a crimes hediondos e para ofender o próximo, seja seu colega ou a sociedade, quando em exercício de um cargo público? A resposta é negativa. Cada local de trabalho possui uma conduta, e é, ao menos, de bom decoro que empregados o sigam. O caso de um cargo público também segue a regra.
Sobre Bolsonaro sugerir estupro em sua fala, não há dúvidas que é, no mínimo, antiético, pois é um crime condenado pela lei. Porém o processo mais recente de quebra de decoro por apologia à tortura, está causando mais discussão, pois há quem argumente que o Coronel Brilhante Ulstra não é legalmente acusado de ser um torturador e por isso o processo seria injustificado. No entanto, o Coronel é socialmente reconhecido por décadas como tal. E o claro propósito do Deputado foi indiretamente ofender sua colega Dilma Rousseff. Ou seja, tal Coronel citado poderia até ser um mito, porém um mito reconhecido socialmente por prática criminosa e, como se não bastasse, estrategicamente planejado em seu discurso para ofender àquela que estava sob julgamento do processo sob votação. Bolsonaro, enquanto no exercício de seu cargo público, em uma votação do plenário para o bem público, se expressar como fez, é, sim, uma quebra de decoro parlamentar.
Decoro, segundo sua definição no dicionário, é: "1. recato no comportamento;decência 2. acatamento das normas morais; dignidade; honradez; pudonor 3. seriedade nas maneiras; compostura 4. postura requerida para exercer qualquer cargo ou função, pública ou não", o que nos remete à indagação acima sobre a "liberdade de expressão". Ofensa deliberada à colega de trabalho, é uma quebra de decoro. Ofensa deliberada utilizando-se de apologia a crime, é hediondo, repulsivo. Portanto, caro colega, Coronel Brilhante Ulstra não necessita de uma condenação legislativa como um criminoso, apenas a associação de seu nome, por décadas, a um crime, que por sua vez é diretamente relacionado com a colega do Deputado em questão, deixando claras suas intenções, são mais que suficientes para justificar uma punição.

28 de jun de 2016

Brexit, xenofobia, e o nosso DNA.

Já viram o vídeo sobre nossas verdadeiras origens? Voluntários para um teste de DNA com um resultado muito bonito. Esse vídeo fala muito por si só sobre estes assuntos no título.
Então uma das decisões mais atordoantes recentemente foi a de o reino unido se separar da união européia, uma decisão feita pela velha geração de um país, uma geração que já viveu, que já aproveitou dos benefícios de partilhar um lugar comum com outros países, um mercado comum e livre, a liberdade de trabalhar em outros lugares recebendo um tratamento destinado a quem é cidadão, a liberdade de uma troca cultural, uma geração que fez uma decisão totalmente egoísta, motivada por sentimentos de superioridade de um povo que se acha "puro" e que imigrantes fazem mal para seu país, sua cultura. Essa xenofobia intensificada provém da recente erupção de refugiados que não concordam e não querem lutar uma guerra que não é sua, que preferem não ser pegos no fogo cruzado do ódio mútuo que não lhes diz respeito, que gostariam que seus filhos crescessem longe desse cenário. O velho clichê que diz que o ódio promove o ódio é mais do que verdade em todos os casos.
Esse é o verdadeiro motivo de uma decisão que vai apenas trazer lamentos. O Reino Unido não será mais unido, mas sim fragmentos do que um dia foi um grande influente do mundo. Escócia concretizará seu desejo de independência de alguns anos atrás e ficará sozinha na UE; Irlanda do Norte se unificará com sua contraparte e irá pertencer a UE, uma Irlanda unificada, porém nunca mais unida; País de Gales também fala em independência; e Inglaterra ficará com sua soberania, orgulho e xenofobia, porém sozinha, sem influência, apenas um país como qualquer outro, com sua moeda, com sua política, com suas regras, tentando resolver seus próprios problemas, desamparada. E com uma economia muito prejudicada. Valeu a pena?
Neste vídeo, uma moça afirma que o teste deveria ser compulsório, pois não existe algo como "raça  pura" no mundo. Não existe e não deveria haver consideração contrária. Nacionalismo exacerbado sempre resultou em adversidades.

25 de jun de 2016

(In)tolerância e (Des)respeito

"Você não sabe de nada", "você não tem bases para dar opinião sobre tal assunto", "você é arrogante", e outras espécies de ofensas. Quantas vezes fui obrigada a ler/ouvir está espécie de colocação desequilibrada por parte de pessoas no facebook, amigos inclusive, em postagens em que discordo de sua opinião sobre assuntos atuais. São estas pequenas, porém incendiárias, reações que alimentam cada vez mais o ódio que anda sendo tão bem cultivado atualmente. São cada vez mais raras as pessoas que sabem conversar, sabem o significado de um debate, uma exposição de ideias de maneira civilizada.
O propósito de um debate é construir, porém cada vez mais pessoas acham que não precisam mais ser "construídas". Por achar suas opiniões sólidas e intelectualmente soberanas, qualquer cérebro alheio ao seu pensamento, que apresente um argumento diferente, refute sua ideia no intuito de adicionar à conversa, é digno de insultos e ódio.
Cada vez mais as pessoas vem praticando a intolerância, talvez influenciadas por tudo que acontece no mundo atualmente, por ideias de outros que pregam intolerância, que diferenças não são aceitáveis, que uma pessoa pode brincar de soberania, que não existem consequências às suas ações. Respeito é palavra trivial, destituída de significado, desconstruída e espalhada em migalhas. Respeito é um sentimento bom que cada vez perde mais espaço no coração humano pra intolerância e sentimento de superioridade. A humanidade precisa de mais sentimentos bons, precisa que todos ergam suas varinhas e iluminem a marca negra que paira no alto. Menos ódio, soberba, subtrações, intolerância; mais amor, mais debates, mais adições, mais respeito, mais.

24 de jun de 2016

Os verdadeiros animais

Mataram. Atiraram sem piedade, sem considerar as consequências, sem ter uma verdadeira razão. E isso no espaço de menos de um mês. Quantas foram as tragédias que passaram na sua cabeça lendo esta frase, nesse exato espaço de tempo? A humanidade está tão perdida que está apontando suas armas aos inocentes, e mais inocentes ainda, os bichos. Dizem muito que a principal diferença entre animais e humanos é que eles são irracionais, enquanto humanos, racionais. Eu acho que esse quadro vem se invertendo há um tempo. Animais são instintivos, sensitivos, bondosos. Humanos estão cada vez mais alimentando a cultura do ódio, o individualismo, o "foda-se", um "anti-sentimentalismo", "anti-diferenças", a irracionabilidade, ou o uso do lado racional para cultivar tudo que é ruim.
O Gorila estava, na verdade, protegendo uma criança assustada, porque é criança. O Jacaré estava acuado, sendo um objeto para o entretenimento humano, fora de seu habitat. A Onça também estava acuada, sendo objeto e fora de seu habitat, e ainda estava cercada de ameaças e querendo fugir. Os bichos são diferentes de nós, pensam diferente de nós, e, como "ser diferente" é um conceito complexo demais para a compreensão de alguns, mataram.
Os verdadeiros animais são os humanos, com suas guerras por religiosidade, seus sentimentos e atos exacerbados de ódio, seus usos de recursos para benefício próprio, seu desprezo pela natureza e não-consciência sobre o que ela produz para suportar a vida. Animal não deveria ser sinônimo de brutalidade e irracionalidade; animal vem do reino Animalia, mamíferos. O ser humano é um animal com armas na mão e capacidade cognitiva de racionalizar o porque não usá-las, no entanto, são animais que escolhem ignorar esta última característica.

23 de jun de 2016

Direitos Humanos

Gays, lésbicas, bi, pessoas que se identificam com o outro gênero, não são coisas de agora, mas começaram a vir a tona a partir do momento em que sociedade e governo começaram a se apresentar como mais liberais e pró direitos humanos. Eles vem formando movimentos, grupos e frentes LGBT porque mesmo nesta sociedade, e neste século, ainda precisam lutar muito por seus direitos, e aqueles simples também, como o de não serem xingados, atacados, machucados e até mortos. Alguns, poucos, foram conquistados, mas são pequenas vitórias. Porém, como podemos falar em igualdade se o ensinamento vem em forma de "respeitar as diferenças"? Eu, você, aquela pessoa que é gay, a outra que é lésbica, aquela que é bi, e a pessoa trans, somos todos Humanos, pertencemos a mesma raça. Posso inclusive estender esta afirmação àquelas pessoas que são mulheres, homens, brancos, àqueles que são negros, outros que são japoneses, índios, albinos, e por aí vai. O princípio é o mesmo, mas nesse post, o X da questão são direitos LGBT. Ou, melhor dizendo, direitos humanos, os quais deveriam, por definição, serem direitos de todos. Pois todos são humanos. Tendo esta base, qual a possível justificativa para LGBT não ter direito à algo? Retomando o ensinamento de "Respeitar as diferenças" citado acima, pensando como um ser humano olhando para um outro ser humano, qual é exatamente a diferença de, por exemplo, um homem, negro, 1,75cm para um outro homem negro de 1,75cm? Não há. Mas a partir do momento que a informação de que um destes homens é gay vem à tona, ela se torna o único lado pelo qual as pessoas o enxergam. E se este homem for um brilhante pesquisador ou matemático? De repente isto se torna descartável. Algumas pessoas não conseguem processar uma informação, como ser gay, e então se atêm à ela, tentando achar uma explicação, e esta informação cresce pois é alimentada pelo ódio que o não entendimento causa e em alguns casos leva á reações extremas, como a do atirador de Orlando. É este o impacto que causa o conceito de "diferenças", por ser muito complexo. E se as únicas informações fossem aquelas que nos tornam iguais? A igualdade é simples, todos nós temos braços, pernas, cabeça e tronco. A humanidade se perdeu tentando achar o conceito de "diferenças". Se perdeu tanto que alguns chegam a matar outros humanos por causa dela.Somos todos humanos, e todos devem ser tratados como tal. Não há razão para sermos segregados, rotulados ou termos direitos diferentes. Direitos humanos foram feitos para humanos.

21 de jun de 2016

Post 1

Este blog ainda está em construção. Em breve postarei o primeiro texto.
A ideia da criação deste blog é apenas dissertar, expor ideias, e, se assim for de interesse público, debatê-las. Em meio a tanto ódio, tanto extremismo, tanto preconceito, nossas vozes podem e devem ser usadas, porém com cautela, pois as mesmas vozes incitam e causam o ódio citado acima. Palavras são nossa inesgotável fonte de magia, capazes de formar grandes sofrimentos e também remediá-los, já dizia J. K. Rowling na voz do famoso Dumbledore.
Precisamos de mais humanidade no mundo. Pretendo contribuir à causa.