14 de ago de 2016

Agora em Botafogo

Aconteceu essa história que viralizou na internet e virou meme. A história da brasileira que não quis passar informações ao estrangeiro por este não falar português. Mas brincadeiras à parte, os brasileiros devem desculpas em nome do Brasil por essa antipatia grotesca.
Ser patriota é amar sua pátria, exaltar sua cultura, seu país e história, o que é nativo da sua terra. Ser patriota é diferente de um excesso de patriotismo. Excesso de patriotismo é se achar superior, é querer se separar do resto do mundo (como certos Brexit por aí), é achar que um turista que está querendo conhecer seu país tem a obrigação de falar sua língua. Excesso de patriotismo é antipático.
A cultura de um país é muito mais que sua língua. Muito além. Afinal, a língua não impediu Caetano Veloso de fazer sucesso em outros países, ou outros grandes nomes de nossa MPB. A língua não impede que o samba seja apreciado por todas as nacionalidades. De fato, a língua é uma parte ínfima, já que há muitas outras formas de nos comunicarmos. Mas a língua facilita, e muito. E ainda mais, uma língua tida como mundial, que é o Inglês. Diria ainda que a língua não é única de uma cultura, de um país. O Inglês se fala nos EUA, Canadá, colonizados pela Grã-bretanha; o Espanhol, em muitos países da América latina e central, colonizados pela Espanha; o Português, no Brasil e em alguns países da África, colonizados por Portugal. Lógico que na evolução das línguas elas foram adquirido suas particularidades em cada país, mas ainda assim mantendo grandes semelhanças.
E Brasil, em particular, é um país formado de um amalgama de vários povos e culturas, vários imigrantes vindos do mundo, várias etnias juntas para formar a diversidade que é apenas única do povo Brasileiro. Achar-se superior à essa história é, no mínimo, uma contradição. É muito provável que seus ancestrais tiveram problemas para se comunicar neste país.
A língua inglesa é a língua considerada mundial apenas para facilitar interações e a comunicação, por ser a mais fácil em termos de gramática. Em plena era da tecnologia e internet, que cada vez mais unifica e aproxima o mundo, o pensamento de que o turista é obrigado a falar a língua do país, além de obsoleto, é ridículo.
Para todos os estrangeiros, extendo as boas vindas de todo brasileiro. Retifico em nome do país que este comportamento não representa a cordialidade e simpatia que é característico desse nosso povo, filhos do mundo.

7 de ago de 2016

Olimpíadas e a política

Devo confessar que antes dos jogos olímpicos se concretizarem como realidade, mais da metade dos brasileiros estavam preocupados com nossa imagem internacional, por causa de nossos problemas políticos, financeiros, de segurança e saúde. Mas a medida que a abertura dos jogos foi se mostrando na tela da TV, essa preocupação foi diminuindo e dando lugar a um orgulho nacional e uma emoção causada pelo grande espetáculo visual tomando forma.
Espetáculo  visual e cultural, mostrando pro mundo que o Brasil é um país não só da festa, mas da diversidade, da cultura nacional, um amálgama de nossos imigrantes, índios, colonizadores; da música, com diversas gerações se apresentando juntas, diversos estilos, e também, além de mostrar sua cultura,u m país que tenta, e que se importa em conscientizar o mundo sobre a importância ecológica, em um espetáculo de um país sem egocentrismos, que sabe que é filho do mundo.
A pira olímpica é uma das estruturas mais simples e impressionantes que já vi.

Brasil já estreou no tiro esportivo ganhando medalha. Mas a grande estréia foi na ginástica artística masculina com um espetáculo onde, na
minha opinião, o grande destaque foi o estreante Arthur Mariano Nory, ou só Nory, como é conhecido. Minha maior torcida está com esse menino. Mas, com certeza, um momento memorável foi a emoção de Diego Hypólito quando finalmente conseguiu concluir sua prova no solo.
E no fim, isto é só o começo, e as tão criticadas Olimpíadas (inclusive por esta que vos fala) começou surpreendendo a todos, e conquistando àqueles que não tinham uma posição favorável a realização. Tiraram um pouco o peso da preocupação política e financeira do país. Ao menos, falo por mim.
Porém, não podemos esquecer completamente os problemas, nem perdoá-los nem um pouco.
Em meio a esta euforia olímpica, porém, me deparo com uma certa postagem compartilhada por uma colega na minha timeline do Facebook. Era uma postagem
relativa aos jogos, parabenizando Dilma Rousseff por organiza-los. Imagem que reproduzo ao lado.

Minha primeira reação instintiva foi uma certa raiva de quem postou isto, e grande desgosto, sendo que não corresponde nem um milímetro com a verdade, e eu queria e precisava comentar. Porém, como não tinha certeza do papel do governante no comitê organizador, decidi pesquisar. Pesquisei sobre o comitê, sobre a candidatura do Rio de Janeiro às Olimpíadas, sobre o Dossiê de candidatura, sobre a matriz de responsabilidades olímpicas e se o governante do país encontra-se em alguma posição neste comitê.
Tudo começou com os jogos pan-americanos de 2007. Em 1990 o projeto de candidatura do Rio ao Pan começou a ser desenvolvido com o presidente Fernando Collor de Mello. Candidatura que só foi ser oficializada em 2002 com o Presidente FHC. Já a candidatura ao Rio 2016 foi oficializada no fim de 2007 pegando carona nos jogos Pan, o presidente naquela época era Lula. Em 2008 foi anunciada oficialmente como candidata e em 2009 avaliada. Ainda era Lula no poder. Dilma entrou depois de a cidade ser oficializada como sede.
Nisso, no comitê organizador, o governante participa (participa, apenas) do conselho dos jogos, que cuida das demandas do Dossiê de Candidatura e da Matriz de Responsabilidades (documento que lista todos os investimentos para a realização dos jogos), ouvindo sobre problemas e soluções estratégicas, políticas e financeiras. Este comitê, como diz o nome, é um conselho; aconselha. O envolvimento mais direto com os jogos cabe ao prefeito do Rio de Janeiro, já que é a cidade que sediará que precisa resolver problemas estruturais.
Se a abertura foi o que foi, os responsáveis são os organizadores da cerimônia, produtores, produtores executivos, diretores de arte, de fotografia, coreógrafos, dançarinos, iluminadores, voluntários e mais um grande número de pessoas que trabalham nos bastidores e que não tem nada a ver com política.
Dilma Rouseff não foi nem responsável pela candidatura da cidade, nem responsável pelo Rio de Janeiro, e menos ainda responsável pela organização (já que não é alguém que faz parte de alguma produção executiva), apenas participou de um comitê de aconselhamento. Então não, não há verdade na frase “ficou 7 anos organizando tudo”.

Agradeço a cada trabalhador das Olimpíadas, por mostrarem que o Brasil e o povo brasileiro tem competência de emocionar o mundo em um espetáculo sem proporções que ficará na memória, por mostrarem com maestria a cultura do nosso povo, diverso como um só, único no mundo. E agradeço a mim mesma por respirar e pensar duas vezes, pesquisar e me instruir antes de comentar algo que tinha pouco conhecimento sobre. Fatos são os melhores argumentos, irrefutáveis. E é através de pesquisa, se o conhecimento lhe faltar, que se chega a um entendimento sobre o assunto. Sei que fui dormir tranquila, evitando discussões, porém me posicionando sobre algo que era falso e injusto.

2 de ago de 2016

Biel (machismo)



Biel. Biel virou sinônimo de machismo e preconceito. Biel virou sinônimo de infantilidade.
Biel surgiu porque foi fácil. Nascido em berço de ouro, filho de uma advogada e um dono de uma empresa de shows, o pai colocou o filho pra "cantar" porque podia. E emplacou, foi angariando alguns fãs pelo Brasil cantando seu funk.
Porém, Biel, na mídia, e em suas opiniões, as quais lhe parece legal divulgar a quatro ventos, sempre foi machista, homofóbico, preconceituoso. Como comprovado por alguns de seus tweets antigos. Em plena época do amor liberal, empoderamento feminino e inclusão social.
E como se não bastasse, assediou sexualmente uma repórter do IG, tentando se defender depois afirmando que era apenas uma "brincadeira", como se fosse normal. Depois de gravar um vídeo pedindo desculpas, Biel, em uma festa, comprovou seu falso vitimismo ao cantar, no palco, os versos "tá gostosinha/te quebro ao meio". E não satisfeito, acusa a repórter que o denunciou de o prejudicar, afirmando que não vai mudar porque "é o jeito dele". Ou seja, essa é mesmo a pessoa que ele é. Porém, ele não sofre nenhuma consequência pelo assédio, enquanto a jornalista que, muito que bem, o denunciou, perdeu seu emprego.

Machista, por definição, tem a mente fechada dentro da caixinha. Machista julga uma mulher pela aparência e por número de homens que passaram pela sua vida e a condena, sendo que pelas mesmas razões um homem é enaltecido. É o famoso dois pesos e duas medidas. É triste como ainda precisamos explicar o que está errado neste pensamento. E ainda que fosse somente um pensamento! Infelizmente, isso vem acompanhado de atitudes. Muitos homens ainda acham que bater em uma mulher é aceitável, e normalmente porque esta tal mulher não quer dar um beijo, ou fazer sexo. Pois bem, se o pensamento machista condena as mulheres pelo número de homens com quem estiveram, porque este mesmo homem machista, vendo uma mulher, acha que ela tem por obrigação "ficar" com ele? E não é nem por roupas, é por ser mulher. Muitos homens acham que se dirigir ofensivamente a uma mulher é lisonjeiro, ou apenas brincadeira. Homens se acham no direito de gritar ofensas a uma mulher na rua pois em seu pensamento machista controverso, chamar uma mulher de gostosa fará ela gostar de você, mesmo, esse mesmo pensamento machista julgando que a mulher que tem essa atitude não é "pra casar". Ainda seguindo a linha do pensamento machista controverso, eles se acham também no direito de te assediar diretamente, no ônibus, no táxi, no uber, no metrô, como se o corpo de uma mulher fosse propriedade pública. Resumindo, o pensamento machista controverso diz que não se deve respeitar uma mulher.
E geralmente, isso vêm em combos. Machistas são preconceituosos e homofóbicos, pois, segundo sua linha de pensamento, quem é diferente não merece respeito. Infelizmente, esta não é uma questão de educação, pois, como o Biel, muitos nasceram em berço de ouro e tiveram oportunidades na vida de ter a melhor educação na escola. É uma questão de caráter, algo muito mais difícil de ser construído, e mais difícil ainda de ser mudado e aprendido ao longo da vida, o que só acontece com uma vontade de mudar e remoldar suas atitudes, acontece quando está disposto a colocar-se no lugar do outro e pensar em como se sentiria. É colocar em prática a frase "não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você". É pensar em como o ódio gratuito fere os outros e fere à você mesmo por dentro. Pensar em como se sente uma mulher que teme ser estuprada no meio da rua por estes mesmos machistas controversos que ela aguenta todo dia, calada, a assediando em cada canto.
Não deveria precisar dizer isso, nem apontar o que há de errado, mas infelizmente, ainda há no mundo esse tipo de atitude.
PS: Sobre a outra metade do combo, homofobia e preconceito, falo no post Direitos Humanos